PARENTESES: Dia 18 tivemos a primeira turma do Curso Xpress Design Driven Innovation. Gostei que o público da palestra DESIGN THINKING PARA QUEM NAO EH DESIGNER atraiu tantos não-designers, rs! Metade do grupo era de outras áreas e isso me surpreendeu.

No Livro DESIGN DRIVEN INNOVATION, Roberto Verganti afirma que Design é sobre dar significado as coisas – antes de tudo. Todo o mais em um produto ou serviço é, ou deveria ser, conseqüência disso. Parece uma afirmação simples, mas não é. Significado não é algo inerente as coisas. É uma interpretação pessoal sobre algo. Então não esta no controle do designer, é sempre um risco projetar algo. O designer pode, no máximo, SUGERIR significados (e estar atentos as ressignificações que surgem na interação objeto-usuário). Como o designer reduz a incerteza? Pesquisa de campo (que pressupõe empatia), prototipaçãoe muito feeling! Estes são os pilares do design thinking.
Verganti fala muito de DESIGN DRIVEN INNOVATION para inovações disruptivas. Ele crê muito mais no poder de visão do designer do que em design centrado no usuário. Na verdade, não eh uma critica ao DCU em si, mas o reconhecimento de sua limitação para gerar produtos disruptivos. No fim das contas, a inovacao radical eh fruto de vários elementos que inclui uma competência muito particular e difícil de ser desenvolvida: a interpretação de comportamentos sociais (sinais), para a codificação em um produto ou serviço desejável. Depende de ver além do que a maioria está vendo e isto significa nadar contra o mainstream. No fim tem a ver com liderança e a premissa é única: PESSOAS – como insights providers, como atribuidores de significados ou como intérpretes. Inovação no século XXI só faz sentido quando focada em pessoas. Já foi diferente.
Inovação é uma estratégia de diferenciação. As empresas já se apoiaram em Escala, em Qualidade, em Serviços (e ainda ha muitas oportunidades aqui), mas com a comoditização geral, restou inovar em significado, ou seja, conceito.
O grande impasse que vivemos é como administrar um negócio na Era Conceitual com uma mentalidade Industrial, como já alfinetou com maestria Gary Hamel. Quem diria que o filho da Revolução Industrial, o Design, conseguiria se sobressair ao sistema e ter sua vozinha ouvida? Não por bondade dos senhores do sistema, mas por necessidade. A diferenciação agora é pelo significado. Parar de fazer produtos mais fáceis de serem produzidos (foco na linha de produção) e começar a criar produtos e serviços que as pessoas AMEM. Deslocar a supremacia do pensamento indsutrial para o pensamento de design.
Preço é importante? Claro! O problema é quando confunde-se PREÇO com VALOR. O problema é quando se esquece que ser humano é razão e emoção. E decisão de compra é um comportamento dirigido pela emoção, na maioria dos casos. Estamos em um tempo de muita pressão por inovação e o papel do design esta sendo reconhecido para alem de seu lugar operacional. Se antes os designers eram chamados quando toda a estratégia de negócio já estava definida, agora é cada vez mais comum a tríade
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Nesta conjuntura, o Design influencia a estratégia e o negocio, tanto quanto é influenciado por eles. E o melhor, inicia-se um movimento de transformação da cultura corporativa: pensamento sistêmico, trabalho colaborativo, soluções centradas no humano. Estamos caminhando para um novo mindset chamado Design Thinking.