Esta entrevista foi publicada na Revista comemorativa do IV Encontro de Consultores do Isvor Fiat, em 30/11/10

1 – Como surgiu a ideia de introduzir o Design Thinking no Isvor?

Quando Marcia Naves assumiu a superintedencia, fui convidada para ajudar a repensar a area de Educacao a Distancia (o e-learning) a fim de obter melhores resultados de negocio. Ate entao, parte dos treinamentos eram produzidos por empresas terceirizadas. A linguagem dos cursos era desconectada dos valores de branding e a experiencia de aprendizagem estava aquem do que poderia ser oferecido. Meu background como empresaria, designer e professora me permitiu recrutar e selecionar, pessoalmente, o primeiro e o segundo time de profissionais, bem como tracar as estrategias de acao. As metas para o primeiro ano foram atingidas em 6 meses. Ainda no mesmo ano, Marcia teve o insight de me inserir nas discussoes do Planejamento Estrategico do Isvor. Desta forma, o pensamento de design tem sido inserido de forma natural no DNA da empresa. Durante estes dois anos, foram desenvolvidos varios projetos para as empresas do Grupo Fiat e parceiros. A satisfacao dos clientes foram fortalecendo a crenca de que o DT pode ser aplicado na solucao de qualquer problema de negocio. A oficializacao do DT como modelo de inovacao aconteceu em dezembro de 2009, quando ministrei a segunda palestra para os consultores e funcionarios do Isvor e assumi a responsabilidade pela Gestao de Design.

2 – Como foi trabalhado o briefing no primeiro curso, que você ministrou, ja que os profissionais eram de varias areas?

 
A primeira turma foi um prototipo – um experimento para obtencao de feedbacks e aperfeicoamento do modelo. O desafio foi enorme porque a turma foi formada por profissionais senior, master, junior e estagiarios. A maior parte era do Grupo Fiat, mas tambem tinhamos convidados de empresas parceiras, como Mendes Junior e Mind Quest. O curso foi dividido em duas partes: teoria e workshop. No primeiro dia, os alunos puderam entender como a ferramenta de briefing se insere no processo de solucao de problemas (problem-solving), especificamente na parte de identificacao e construcao do problema (problem-findind e problem-framing). Ou seja, foi discutido o papel estrategico do briefing para o sucesso de um projeto. No segundo dia, os alunos criaram seus proprios modelos de documento de briefing, apresentaram para os colegas e receberam feedbacks para seu aperfeicoamento. Como o curso questiona modelos mentais, a diversidade da turma acabou enriquecendo as discussoes e a troca de experiencias.�

 3 – O Design Thinking é um conceito que tem se tornado prática em grandes empresas. De que maneira ele pode ajudar na gestão estratégica dessas organizações?


Antes de gerenciar uma estrategia, a empresa precisa CRIAR sua estrategia.
A exemplo do Isvor, este eh o momento perfeito para exercitar o pensamento de design em uma organizacao porque o modelo vigente pode ser questionado em suas bases. Design Thinking eh antes de tudo uma forma de pensar, cujos pilares sao imaginacao, empatia e prototipacao. Imaginacao diz respeito a criar hipoteses, pensar em cenarios que nao existem ainda, em ser inventivo. A empatia, por sua vez, coloca o elemento humano no centro das decisoes de negocio e a prototipacao diminui os riscos do resultado final.

4 – Caso tenha algo a mais que queira adiantar, falar sobre as tendências dentro dessa área que tem ganhado destaque, fique a vontade.

Ainda se confunde design thinking (nome generico) com Design Thinking (nome proprio). Eu enfatizo esta diferenca porque o primeiro diz respeito a forma de pensar dos designers, enquanto o segundo eh a aplicacao deste mindset na solucao de problemas mais complexos como a gestao de negocios. Este pressuposto tem tres implicacoes. Primeiro, a formacao de design nao capacita, por si so, nenhuma pessoa a resolver problemas de negocio que extrapolem suas especialidades classicas (moda, grafico, arquitetura, produto, ambientes). Segundo, o pensamento de design nao eh estatico. Designers sao corresponsaveis pela criacao e manutanecao da cultura de consumo, especialmente a partir da decada de 1950.  Eh responsabilidade dos designers inseridos em processos decisorios inserir
a sustentabilidade social e ambiental como parametro projetual. E por fim, Design Thinking nao eh uma tendencia. Eh a adocao de um modelo mental mais apropriado aos problemas de nossa epoca, cuja  natureza complexa exige uma abordagem sistemica, em oposicao a logica mecanista vigente.