Almoço com Tom Kelley

Por Eler    Em June 9th, 2010    4 comentários

 

Parece mentira, mas amanhã terei o privilégio de almoçar com Tom Kelley. O Isvor, onde sou Design Manager, está patrocinando a palestra dele em BH. Penso que será um marco. Uma semente que vai germinar muito rápido. Tom Kelley é o porta-voz dos designers no mundo corporativo. A platéia terá mais executivos que designers, ou seja, os tomadores de decisão. Aos poucos, a Fiat Automóveis está incorporando o discurso do Design Thinking e todos saem lucrando com isso, em BH, e no Brasil. Sabem que gosto de  livros ;) . Pois bem, ele é autor de A arte da inovação (esgotado, mas deve voltar em breve)  e As 10 faces da inovação. Sobre as idéias deste útlimo dei esta palestra abaixo. 

No almoço, Tom sacou uma caneta e um papel do nada e desenhou um diagrama (um gesto típico de designers, não?).Quando pedi para postar aqui, ele prontamente creditou a teoria ao autor Jim Collins. Vamos ler este livro? Sintetizando, o diagrama é tão simples quanto útil: como escolher sua profissão? Considere suas competências, vocação e mercado. Equilibre sonho, realidade e oportunidade. Muito bom, não? 

Solicitei ao Tiago Souza (do Isvor Fiat)  o redesign do diagrama. 

Vamos enviar para o Tom e ver o que ele acha… 

Diagrama desenhado por Tom Kelley durante o almoço

 

Alguém reparou na alusão às meias coloridas?? Um bom design mora nos detalhes….

Ok! Prometo um post sobre a palestra no fim de semana.

Compartilhe!



Comente!

4 comentários. Comente também!

De que Design Thinking estamos falando, afinal?

Por Eler    Em June 6th, 2010    17 comentários

 

DBA 98 Biodegradable Pen from DBA on Vimeo

Sempre que leio sobre DT tenho vontade de perguntar: De que tipo de Design Thinking estamos falando? As formas de pensar design tem mudado desde a Revolução Industrial. Primeiro, o design serviu à indústria, criando artefatos adequados à produção em escala - o DCT (design centrado na tecnologia).  Isto não significa que o ser humano era desconsiderado na prática projetual. Design é por definição uma prática humanista. Porém, neste mindset, o principal aspecto considerado na concepção de produtos eram (são) as tecnologias existentes. O ser humano (e o projeto) deve então adaptar-se ao que é possível ser feito por determinado maquinário.  

Com o tempo, o próprio desenvolvimento tecnológico ampliou as possibilidades de produção de bens, permitindo enorme variedade de designs. Então, veio o DCU (design centrado no usuário) defendendo que as decisões projetuais devem ser guiadas pelos fatores humanos. Neste caso, não se deve projetar com base em suposições de comportamentos, mas observando as pessoas em seu real contexto de uso dos produtos de design.  Isto implica em um processo iterativo de projetação, onde os dados colhidos em cada etapa validam ou não as suposições. Quando se fala em Design Thinking hoje, na maioria das vezes,  estão falando deste o modelo de solução de problemas, aplicado na solução de problemas sociais e de negócios. 

No entanto, se queremos fazer alguma diferença no mundo, agora que os refletores estão sobre nossa profissão, devemos problematizar este mindset. Não podemos ignorar que somos responsáveis pela crise ambiental. Que nossas decisões irresponsáveis e levianas tiveram e continuam tendo grande peso sobre o uso indevido dos recursos. Que a aliança design-mkt-capitalismo-engenharia precisa ser revista. Enfim, que o design precisa recuperar seu ethos inicial. Quantos cursos de design discutem o papel político do design? Quantos alunos e profissionais entendem (ou conhecem) a colocação de Stephano Marzano? 

 “O design é um ato político. Toda vez que desenhamos um produto estamos fazendo uma declaração sobre a direção em que o mundo irá se mover.” (S. MARZANO

Dos que entendem, quantos se importam? E, dos que se importam, quantos fazem a diferença? 

Pergunte a um designer o que ele faz em sua profissão. 

_ Eu crio produtos – Ele dirá. 

E por produtos, quase sempre, entenda produtos materiais. 

Precisamos resgatar nosso ethos.  Designers solucionam problemas

 Somos especialistas em Problem-Solving. Somos Problem-Solving People. Embora nos últimos séculos tenhamos sido mais Problem-Creating People. 

É por isso que gosto muito do termo Design Centrado na Humanidade, proposto por Charles Bezerra, em O Designer Humilde. Este termo, significa que o designer considera o ser humano como parte de um ecossistema e não como um usuário de uma tecnologia.  Um bom livro sobre os fatores humanos estudados com esta visão sistêmica é THE HUMAN FACTOR. O autor, Kim Vicente, problematiza o que influencia o comportamento humano em cinco níveis de complexidade: físico, psicológico, coletivo, organizacional e político. 

Qual a relação dos dois livros? Os produtos de design  moldam o comportamento das pessoas em diferentes níveis, alguns intencionais e outros não. Como disse Flusser , design é INTENÇÃO. Se ajudamos a criar o maior e mais complexo problema de nossa era, como poderemos ajudar o ser humano a assumir comportamentos favoráveis à sustentabilidade ambiental (e também sócio-econômica)? 

O Design Thinking tem sido aclamado como um mindset capaz de transformar a realidade atual em uma realidade desejada. OK! Esta é a definição de design, segundo Herbert Simon “changing existing situations into preferred ones.” Mas, não é o Design Centrado no Usuário que fará isso. Onde encontraremos “sustainable behaviors” observando usuários comuns? Roberto Verganti foi muito assertivo em sua colocação – “User-Centered Innovation is Not Sustainable,” (47 comentários até agora). 

Aqui chegamos ao ponto crucial. Parâmetros projetuais são insumos para a criatividade e para a inovação (tema de outro post sobre restrições e criatividade) Nós, seres humanos, não temos necessidade de rever nossas práticas de consumo. Este é um imperativo top-down (da natureza esgotada para nossa existência comprometida). As mudanças de comportamento tem de ser, então, provocadas também em uma atitude top-down. Trata-se portanto, de abordar o problema com um mindset de inovação, onde, não adianta esperar que as pessoas digam ao designer o que elas querem (ou lhe dê pistas neste sentido).  Este futuro tem de ser criado. Tem de ser projetado. Pois bem! Temos um futuro para projetar, um futuro de práticas sustentáveis.  

Ford, Jobs e outros visionários, como Manzini crêem que este tipo de problema tem de ser abordado de modo diferente do usado no DCU, como o conhecemos. Para estes casos, Tim Brown, em Change by Design propõe a observação sim, mas de usuários extremos (radicais). Vejam este comentário dele: 

Tim Brown – May 3, 2010 I would make one point about what users to focus on. It is not so much average users that are valuable in the creative process as extreme users. Indeed I talk in the chapter on social innovation about users in the bottom of the pyramid being the most extreme, and therefore the most valuable, users of them all. It is by looking at the extremely young, the extremely sick, the extremely competent, the extremely incompetent, the extremely old or the extremely enthusiastic that we get to the truly valuable insights and ideas. 

O mindset que precisamos, o Design Thinking para nossa era, é o Design Centrado na Humanidade. 

  

“A realidade vai melhorar quando designers humildes assumirem o papel de liderança, e com uma visão mais humana possam dirigir a tecnologia eo mundo dos negócios”. Charles Bezerra, 2008   

Só estaremos no caminho quando as escolas de design acordarem para o século XXI. Quanto mais leciono, menos creio na Educação como é praticada hoje. Infelizmente.

Compartilhe!



Comente!

17 comentários. Comente também!

IMPERDÍVEL!

Por Eler    Em May 28th, 2010    Seja o primeiro a comentar!

Por $1500 , vale a pena. Vejam o naipe dos palestrantes.

A cast of world-class thinkers will drive the dialogue about how Design is changing. Content will include leading-edge practices from the point of view of executives who are applying Design Thinking to transform their organizations. Corporate design managers will talk about whether their role is really changing or not. We’ll hear from the best in both the Design world and business and design education as they discuss what is changing in the field, and the dramatic response from academic institutions. And, we’ll illuminate how the new thinking is changing the face of social innovation with some front-runners doing large scale experiments.

Compartilhe!



Comente!

Seja o primeiro a comentar!

Primeiro curso da Série Design Thinking Tools

Por Eler    Em May 15th, 2010    6 comentários

Desde março de 2009 assumi a Gestão de Design do Isvor Fiat. Dentre meus desafios estava a estruturação do E-learning nesta Universidade Corporativa – desde a criação do modelo até a seleção do pessoal e gestão da área. Em paralelo a este trabalho, Márcia Naves, a Superintendente, me convidou para participar do Planejamento Estratégico da Empresa. Então, tive oportunidade de apresentar o Design Thinking como mindset que estava se tornando tendência. Dei uma palestra para empresas convidadas pelo Isvor em abril. Alguns ficaram empolgados, outros acharam que a proposta era muito ousada. Durante o ano, conduzimos uma série de projetos internos e para as empresas do Grupo Fiat, todas com enorme sucesso. Esta abordagem tem ajudado a criar uma nova percepção do Isvor no Grupo e no mercado. Em dezembro, compartilhamos o modelo de Design Thinking (DT) com os consultores da Empresa e foi anunciado o programa de Capacitação em DT.

Pois bem, chegou a hora. Propus um Programa composto por Palestras, Workshops e Tools. O primeiro da série é BRIEF, um assunto pouco compreendido e de extrema importância para o sucesso de qualquer projeto. O desafio agora é traduzir as ferramentas de design para a solução de problemas que extrapolam o domínio do design clássico, e avançam para problemas de gestão de empresas e seus processos. Esta turma já está fechada, mas haverão muitas outras. Fiquem atentos às datas no site www.isvor.com.br, no dia 10/06. Minha preocupação é que, com a Palestra de Tom Kelley em BH, haja uma grande procura por capacitação em DT e ofertas de cursos que sejam Design, mas não Design Thinking.
Esta ponte entre Business e Design só pode ser feita por profissionais experientes, que transitam pelos dois domínios de conhecimento. Vamos esperar para ver.

Paralelo a este programa, o Isvor está criando o Isvor Labs para Inovação Sustentável, pelo o qual sou também responsável. A única forma de inserir o DT no DNA da empresa é tendo líderes sensíveis à proposta. Márcia Naves é um exemplo neste sentido. Uma parceria profissional que já dura mais de uma década.

Vejam a lista de cursos, workshops, palestras e metodologias que considero imprescindíveis para empresas e para designers que querem trabalhar com Design of Business:

Design Thinking Tools
Brief – Problem finding e Problem framing
Card sorting
Visualização de idéias
Mapas mentais
Brainstorming
Construção de cenários
Blueprint

Design Thinking Workshops
Pensando como designers
Metodologia para solução de problemas
Prototipagem rápida
Prototipagem de serviços
Testes de usabilidade
Infografia aplicada a negócios
Co-criação

Design Thinking Palestras
Design thinking aplicado a negócios
Design de serviços
O Design Thinking na história
Design Thinking e inovação sustentável
Pensamento integrativo para executivos
Melhoria contínua x inovação disruptiva
Restrições como insumo criativo
Inovação tecnológica e inovação conceitual
Vilem Flusser e o mundo codificado do design

 Empresas Design-Driven – Cases
Design, o verbo – Expandindo o conceito de design

Design Thinking Metodologias
Design centrado no usuário
Processos de co-criação
Unfocus group

Compartilhe!



Comente!

6 comentários. Comente também!

4 APLICAÇÕES DO DESIGN THINKING

Por Eler    Em May 8th, 2010    1 comentário

Compartilhe!



Comente!

1 comentário. Comente também!